O Euromilhões real


2 horas da tarde, Shopping de Santarém, 3ª-feira, dia de sorteio do euromilhões.

Pós-degustação de uma sandes de fraqueza, ávido por um cigarro, procurei uma tabacaria/papelaria para comprar tabaco de enrolar. Encontrada a fonte do vício, dei de caras com uma fila maior que a própria papelaria/tabacaria. "Mas que raio, tanta gente!?", terei pensado. Percebi  depois que era dia de sorteio do euromilhões... A fila era grande e eu não tinha a infeliz companhia de um telemóvel daqueles que, para além das inúmeras aplicações que tem - qualquer dia até dão para aspirar e limpar o pó! -, também dão para telefonar. Privado dessa ferramenta de vital importância fisiológica, ocorreu-me pensar sobre toda aquela azáfama que presenciava na pequena tabacaria/papelaria. Por largos instantes, detive-me a tentar entender a preocupação e a dedicação à causa euromilhões - enquanto pensava naquilo, tentavam passar-me à frente. É uma boa causa, convenhamos! Mas... e será que não nos preocupamos em demasia em ser milionários ao invés de tentarmos deixar de ser pobres? O que a população parece ignorar é que a probabilidade de ser milionário é infinitamente menor que a probabilidade de deixar a pobreza. Cada vez mais, somos esmagados por estes (des)governantes e a saída da crise parece ser o euromilhões... Bastava que a determinação que eu vi naquela pequena papelaria  contagiasse as ruas do nosso país e, decerto,  teríamos vós ativa nas políticas sociais, no combate à pobreza e desemprego. Preocupemo-nos mais com isso e menos com a pretensa riqueza sebastianista, aquela em que acreditamos chegar no dia que nunca chega.

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