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Showing posts from 2014

Camilo Lourenço diz que Portugal tem 10 milhões Camilos Lourenços?

(Réplica de queixa apresentada à RTP por conduta completamente inapropriada do Sr. Camilo Lourenço na sequência de afirmações contra o povo português)
"Boa tarde, Acabo de ver a Antena Aberta com a pivot Alberta Marques Fernandes e o convidado Camilo Lourenço trocarem ideias sobre a privatização da TAP. Ouvi, e passo a citar, o convidado Camilo Lourenço responder, de viva voz: "as pessoas não estudam, não se informam e dizem disparates". Se, enquanto interessado em matéria económica, convivo muito mal com os dislates que o indivíduo em causa profere nos diversos media que lhe dão (inexplicável) cobertura - ele tenta falar de economês pois não consegue falar de economia! -, enquanto português senti-me ofendido com as palavras citadas. Talvez fosse bom lembrar ao Sr. Camilo Lourenço que quem tem défice de estudo e informação é ele próprio pois é comentador da área económica/financeira não sendo economista. E, no entanto, não se coíbe de nos chamar "burros" em d…

O matemático

"Encontrei-a no Chiado e apresentou-me o marido. Ele olhou, mas não me viu, embora no seu rosto sorrisse uma simpatia vaga. Havia entre os seus olhos e o mundo o muro da sua distracção. Despedimo-nos - e lá seguiram os dois. Ela prendia-o pelo braço, como se assim impedisse que ele começasse a voar.
Soube depois que esse homem de ar ausente era professor e matemático. Dizia-se o seu nome e logo alguém acrescentava louvores a uma inteligência que se exercia num dos domínios mais complexos da matemática. E contavam-se histórias da sua desatenção e do seu desatino. Dizia-se que todos os dias perdia a carteira e a chave de casa. Dizia-se que fazia apenas metade da barba, esquecendo-se de fazer o resto - e era exacto, porque várias vezes assim o vi. Dizia-se que usava um sapato preto num pé e um castanho no outro - e também os meus olhos testemunharam a verdade disso.
A mulher era cantora de ópera. Cantava com uma fúria tão feroz e um fogo tão forte que se esquecia de afinar. Mas ins…

Carta 'fechada' aos abutres da nossa região...

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Esbracejo na tentativa de ficar à tona, Mas vejo-me com peso a mais.

Por ora, o fundo é a minha casa, A podridão, à superfície, o meu telhado.

Por aqui tudo é escuro, Os podres lá em cima fazem sombra.

É difícil, mas eu consigo vê-los, E consigo falar deles, E deles continuarei a falar.

Acorrentado na corrente, Tateio o fundo que me resta, À procura de apoio para emergir.

Um dia será aquele dia, Uma perpetuidade para viver, Não para ser abutre, Chegam-me os que vejo daqui.