Ontem, dia 8 de outubro de 2012, o FMI divulgou o crescimento económico previsto para 2012 na américa latina (3,2%), ou seja, inferior ao nível de crescimento registado em 2011. De acordo com a mesma fonte, em 2012, a Venezuela crescerá 4,74%, ou seja, superior ao crescimento verificado em 2011 e ao crescimento estimado para a américa latina no seu todo. De 1980 até 1998 (antes de Chávez), a economia venezuelana cresceu, em termos médios, aproximadamente 1,40% ao ano (Fonte: FMI). Já com Chávez no poder, de 1999 até 2012 (valor estimado), a economia venezuelana cresce, em termos médios, 2,95% ao ano (Fonte: FMI). São médias, é certo, mas, com Chávez, a economia venezuelana cresceu mais do dobro, sendo o valor médio de investimento superior em 4% face ao investimento registado nas décadas de 80 e 90 do século anterior (Fonte: FMI). Em 1998, antes da subida de Chávez ao poder, o desemprego excedia os 11%, hoje está estável na casa dos 8%. Relativamente ao estrato social, a CEPAL (Comissão Económica para América Latina e o Caribe) refere que o número de venezuelanos em situação de pobreza registou uma redução de 27,8% (dados de 2010) e que hoje, com base no coeficiente de gini, a Venezuela é o país da américa latina com menor desigualdade entre ricos e pobres (Fonte: ONU). Dito desta forma parece que a Venezuela é um paraíso. Não o é e, infelizmente, está ainda longe de o ser. As décadas de 80 e 90 do século passado foram desperdiçadas e há muito por fazer, designadamente na diversificação de fontes de rendimento alternativas ao sector petrolífero. Podemos não gostar do estilo, do discurso ou da postura mas Chávez tem obra feita e o resultado eleitoral espelha isso mesmo. Bem haja!
Tuesday, October 09, 2012
Monday, September 17, 2012
Tenho os pés colados!
Se não sonhar voar nem sequer conseguirei saltar! A cadência deste pensamento, cada vez mais ininterrupta na minha mente, suscita-me alguma desconfiança. É que me deparo com barreiras intransponíveis que me tolhem os movimentos e me colam ao chão. Caramba, já nem saltar consigo! A força de não querer ganha força, a cabeça ressente-se e a motivação esvai-se num espaço em que a equidade é uma palavra vã. Perdura a injustiça no espaço dos que se dizem justos e, segundo temo, cuja justiça se encarregará de ilibar. Exceção feita a tudo, nada passa incólume. Uns crescem e outros há que minguam. Outros ainda, no sentido dos anteriores mas por influências de seres alienígenas, são empurrados para cima ou puxados para debaixo do chão. Sim, porque ainda há espaço abaixo do que pensamos ser o limite inferior. Se o chão já eu conheço – fui pisado várias vezes nos últimos tempos -, resta-me perceber o que se passa por baixo dele. Sem ponta de ironia, anseio por esse momento! Não porque espere encontrar um trampolim no alçapão da felicidade mas porque acredito que será uma passagem para uma realidade melhor. Já que a trajetória é descendente e que, por ora, estou ao nível da calçada, espero descer ao limite para poder mergulhar num espaço efémero que me conduzirá aos píncaros de uma outra realidade. E parto do céu novamente. E ambiciono não chegar ao chão outra vez. E… continuo a sonhar! É bom pensar que irei saltar outra vez! Estou em crer que as barreiras, agora cirurgicamente colocadas, deixarão de existir no futuro, pelo menos as que emergem num piso repleto de cola patex!
Saturday, June 16, 2012
A lata tem limites! Para os alemães eles não existem... ou somos nós que não existimos?
"How is business research helping to overcome the euro debt crisis?" - Sessão do Congresso Anual VHB - Itália
Esta é a questão que estou ver debatida na casa de um dos países com maior urgência na resolução da crise da dívida soberana, a Itália. Uma vez que a dita sessão decorre no âmbito de um congresso internacional organizado por investigadores alemães, a nação que tem criado mais obstáculos à resolução da crise faz-se representar com um painel de oradores integralmente germanico. O título da sessão fará supor a aparição de contributos à questão formulada, e tão necessários o são na atualidade! Contudo, para minha surpresa, uma vez que até ao momento nas restantes sessões que presenciei prevaleceu sempre o recurso à língua de Shakespeare, a sessão decorre em alemão escorreito para compreensão de todos os participantes. De facto, restam poucas dúvidas de que os alemães mostram uma abertura total ao debate dos problemas do euro. Um congresso internacional realizado em solo italiano e os oradores - cuja credibilidade não ponho em causa pois não percebo patavina do que dizem - expressam-se em alemão! Presumo ser sintomático da posição da Alemanha nesta matéria, a qual tenho o privilégio de presenciar "in loco" durante curtos 15 minutos que se esfumam rapidamente com a conclusão deste pequeno texto. Vou virar costas à sessão, literalmente!
Friday, March 09, 2012
Capitulo Perfeito I - A Onda que não exige Capital

Tenho uma posição completamente contrária às privatizações de sectores estratégicos da nossa economia. No entanto, apesar de se sucederem a um ritmo acima do desejável, quem se apropria de parte do capital de uma empresa paga! Neste caso, com uma pequena diferença, assistimos à privatização das ondas em Peniche com a realização de campeonatos de algibeira! A diferença é que quem privatiza não quer pagar! Sim, leram bem, pagar! Neste caso particular, por exemplo, o acto de pagar poderia passar: (i) pela melhoria das zonas envolventes de algumas praias de Peniche, (ii) pelo apoio ao clube local através do fornecimento de alguns materiais imprescindíveis ao seu funcionamento, (iii) por diversas acções promocionais nas escolas do Concelho com o objectivo de sensibilizar os jovens para a prática do surf, (iv) por eventuais investimentos que gravitam em torno da modalidade, geradores de emprego (local) e em prol da dinâmica económica local.
São pequenos exemplos que me ocorrem cujas entidades promotoras devem ter em consideração aquando da realização de um qualquer evento na dita Capital da Onda. O epíteto que dá conta do posicionamento de Peniche na fileira da onda – Capital da Onda - não poderia ser mais feliz. É que, assuma ele as mais diversas formas, a Onda exige o Capital de quem dela usufrui.
Tuesday, December 20, 2011
Dr. Camilo Lourenço - O mamífero
O imenso tempo de antena de que dispõe nos media tira-me completamente do sério! Perde inúmeras oportunidades para estar calado ou para manter as mãos à margem de um qualquer teclado! Com o frio que faz, aceite o meu conselho e experimente andar com as mãos nos bolsos, ininterruptamente!
Num artigo do JN intitulado "Já perceberam porque estamos falidos", este astuto comentador chama burro a Sócrates, literalmente! Não discuto comparações entre mamíferos mas, ao longo do artigo, frases como: "Sócrates não percebe nada de Economia e não aprendeu com os erros", "Só há uma coisa que não percebo nesta conversa: onde mesmo é que Sócrates "estudou" estas teorias?" e "Definitivamente não se deve tirar cursos ao fim-de-semana…", aludem bem ao que o comentador pensa de Sócrates. No entanto, à semelhança de outros trabalhos do Dr. Camilo Lourenço, o artigo está tão desfasado da realidade económica actual que coloca a nu as debilidades do autor neste âmbito. A ligeireza empregue na redacção do artigo leva-me a afirmar que tudo o que o Dr. Camilo Lourenço refere sobre a pessoa de Sócrates se adequa perfeitamente ao mamífero Camilo Lourenço! A zoologia tem predicados úteis, não acha?
Não refeito ainda do que li, escrevi alguns comentários sobre o teor do artigo, os quais passo a replicar:
"Qualquer economista sabe que, em economia aberta, um país terá dívida externa. É intrínseco! Estranho que Sócrates o saiba mas compreendo que o Dr Camilo Lourenço não o saiba!"
"Dr. Camilo Lourenço,
Antes de mais, em jeito de pista, pergunto-lhe se sabe qual o montante de dívida do sector privado. Como é fim-de-semana, avanço-lhe uma outra pista: tem ideia do número de países que estão numa situação, pelo menos, semelhante à de Portugal no que respeita à dívida pública?
Podemos e devemos criticar os erros do passado e quem os perpetrou mas, da forma como o fez, convém que tenha legitimidade académica para o fazer. Será que o Dr. Camilo tirou um curso de Economia ou um curso de Gestão? A julgar pelo que diz ou escreve, o Dr Camilo deverá ser membro honorário da ordem dos economistas! Oooopss, desculpe, pensava que era economista! Permita-me que lhe dê um conselho... Porque não juntar-se a Sócrates em Paris? Propunha-lhe que estudasse economia na cidade luz! Acredito que, findo o período académico, os seus comentários seriam de uma outra índole! Bom trabalho nos seus estudos!"
Comentário de um outro leitor:
"Provavelmente aprendeu na mesma universidade onde o sr. Camilo andou. Só com uma pequena diferença: Ele Socrates aprendeu alguma coisa o sr. pelos vistos não."
Sunday, December 11, 2011
Vincent van Gogh Museum

O alcance da minha visão não é o eco do que vejo mas reflexo do que sinto.
Por isso, quiçá, inútil pelo que percebo de uma realidade que me é estranha.
Ela é-me inatingível, incalculável e, por isso, plena.
Ela deixa de o ser enquanto por mim processada.
O filtro do meu cérebro desvirtua-a, molda-a desde a sua génese.
Este meu defeito ou feitio inato percorre, com amarras crónicas, as ruas do meu pensamento.
Enfim, uma imbecilidade natural que reflecte o esgotamento do alcance da minha visão com o que não consigo ver e que é proporcional à minha capacidade para apreciar arte.
Uma desproporcionalidade do meu eu, completamente leigo neste pecúlio.
No entanto, adoro testar os meus níveis de imbecilidade com alguns mergulhos na arte em geral com o intuito de interpretar, com todos os meus erros e limitações pessoais, trabalhos cujas palavras são escassas para descrever e que o nosso imaginário não contempla. Enviesada, com defeito, baça e errónea, a interpretação que faço é certamente míope mas é minha e guardo-a, com muito carinho, para mim!
Wednesday, October 05, 2011
Uma experiência internacional sobre até onde pode ir a resistência à carga tributária
"No castelo de Berzankin, onde se reúnem os mais poderosos do mundo, uma atividade inédita está a ser levada a cabo. Os banqueiros, os especuladores, os 'ratinguistas', os analistas económicos e, de um modo geral, todos os que querem o mal dos povos, reuniram-se para fazer uma experiência definitiva: saber qual a carga de impostos que cada povo aguenta.
Dois povos foram escolhidos para o efeito. O grego, herdeiro de uma cultura milenar, inventor do conceito de democracia e sucessivamente oprimido por macedónios, persas, romanos e turcos; e o português, marinheiros, descobridores de mundos e nação valente e indomável.
Das altas torres de Berzankin, todas ligadas com wireless às diferentes praças económicas, às diversas forças políticas e às múltiplas correntes sindicais e sociais, os analistas tentavam compreender a reação e a resistência aos impactos de novos e violentos impostos. Suíços, holandeses, americanos, franceses, ingleses e, sobretudo, alemães, mediam essa resistência numa escala dupla: a de mobilização, que ia da montra partida ao assalto ao Parlamento local; e a de indignação, que partia do grito solitário desesperado, para atingir os picos do brado dos No Name Boys (ou Super Dragões, ou Juve Leo).
A experiência iniciou-se na Grécia, pois de um povo habituado ao calcanhar de um macedónio, à trela do romano, enfim, à habilidade do turco, não se esperava grande resistência. Mas, curiosamente, houve logo montras partidas e, dois anos depois de iniciada a experiência, o Parlamento já tem de ser bem defendido.
Alguns dos poderosos do castelo de Berzankin chegaram a temer que igual experiência fosse levada a cabo em Portugal. Recordaram Aljubarrota e os cinco a três que, com Eusébio, demos à Coreia do Norte. Mas os líderes da experiência estavam inflexíveis: o propósito era científico, os objectivos sociais eram importantes e, de maneira mais lata, estavam todos a divertir-se.
Carregaram nos impostos sobre os pobres portugueses... e nada! Carregaram mais! E nada! Mudaram de Governo, tiraram políticos sempre preocupados com a vaidade pessoal, o penteado, a gravata e com a possibilidade do senhor da farmácia não gostar deles... E nada! Mais impostos! Nada! Sacaram metade de um salário... Nada! Houve uma montra partida de esperança, mas veio a saber-se que tinha sido um rapazito a jogar à bola que num chuto desgraçado a partira. Nada de nada! Os descendentes de marinheiros que deram mundos ao mundo, ficaram calmos e quietos, como se não fosse nada com eles. Berzankin emudeceu de pasmo! Aquele nada era aflitivo, prenúncio de uma grande tempestade ou consequência de uma enorme anestesia.
Neste momento, em que no fim das férias visito o castelo a cujas torres chegam informações de todo o mundo e de todas as praças, e de todos os políticos, e de todos os grupos sociais, verifico que o ambiente geral é de incredulidade. Ninguém esperava que do Minho ao Algarve não houvesse o mais pequeno protesto. Houve um congresso de um partido de oposição no qual Berzankin depositou esperanças... mas nada!
A experiência vai continuar, por ser, até agora, inconclusiva. Vêm novos impostos, novas formas de tirar dinheiro aos portugueses, mas no Castelo já corre uma teoria que vai fazendo adeptos - a de que os tugas eram muito mais ricos do que aquilo que pareciam."
Comendador Marques de Correia, Revista Única, Expresso de 17 de Setembro de 2011
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